A estudante Susana Ferrador defendeu com sucesso a sua tese de doutoramento intitulada “Ciberjornalismo de proximidade: mapeamento e análise dos media online transmontanos”, um trabalho que lança uma luz importante sobre o panorama da comunicação digital na região de Trás-os-Montes, e que surge no âmbito do Programa Doutoral Informação e Comunicação em Plataformas Digitais (ICPD).

As provas públicas, que tiveram lugar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), no dia 25 de novembro, foram presididas pelo Professor Doutor Armando Manuel Barreiros Malheiro da Silva, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e tiveram no júri o Doutor Xosé López Garcia, Professor Catedrático da Universidade de Compostela; o Doutor João Manuel Messias Canavilhas, Professor Catedrático da Universidade Beira Interior; a Doutora Sandra Cristina dos Santos Monteiro Marinho, Professora Auxiliar do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho; o Doutor Nelson Troca Zagalo, Professor Catedrático do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro; e o Doutor Hélder Manuel Ferreira Bastos, Professor Auxiliar do Departamento de Ciências da Comunicação e da Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto; e o Doutor Fernando António Dias Zamith Silva, Professor Associado do Departamento de Ciências da Comunicação e da Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

A tese, orientada pelo Professor Doutor Fernando António Dias Zamith Silva e pelo Professor Doutor Pedro Jerónino, culminou com a aprovação por parte do júri.

Resumo

Num mundo marcado por fluxos informativos massivos, o jornalismo de proximidade, especialmente em contextos regionais como Trás-os-Montes – entendido aqui em sentido lato, abrangendo os distritos de Bragança e Vila Real, mas excluindo os concelhos durienses do distrito de Viseu –, desempenha um papel crucial na coesão social e na vitalidade democrática local. Esta tese analisa criticamente o papel específico do ciberjornalismo de proximidade, investigando de que forma os media transmontanos se adaptam à era digital e enfrentam desafios decorrentes da necessidade de preservar a proximidade e os valores jornalísticos enquanto procuram sustentabilidade financeira.

O eixo central da investigação é o mapeamento e análise crítica do ecossistema mediático transmontano, atualizado em abril de 2025, abrangendo 56 meios (rádios e publicações periódicas) inscritos na ERC, jornalísticos ou não, com ou sem presença online. Deste universo foram selecionados, segundo critérios rigorosos de presença digital efetiva, carácter jornalístico e periodicidade regular, 12 jornais e 17 rádios, estudados com metodologia mista: análise de conteúdo qualitativa e quantitativa, questionários, grupos focais e entrevistas. Destaca-se a participação de 17 responsáveis editoriais nas entrevistas, permitindo compreender antiguidade, condições laborais, transição digital, sustentabilidade económica, além de captar perspetivas críticas sobre desafios e vantagens competitivas no ambiente digital.

Paralelamente, o inquérito à população residente, complementado por grupos focais com a diáspora transmontana em vários países europeus e por um inquérito dirigido aos profissionais dos media regionais, revelou tendências claras de consumo mediático, destacando-se o Facebook como principal plataforma digital de acesso à informação regional e preferência por conteúdos de proximidade imediata. Deste mapeamento emerge um desafio estrutural: em 2025, oito dos 26 concelhos de Bragança e Vila Real mantêm-se “desertos de notícias”.

A investigação concluiu que, apesar dos esforços para acompanhar a transformação digital, os media online transmontanos enfrentam desafios à sustentabilidade económica, condicionados pela desertificação populacional, isolamento geográfico e limitações infraestruturais. Nas regiões identificadas como “desertos de notícias”, as populações recorrem espontaneamente a fontes informais ou a conteúdos provenientes de regiões vizinhas, frequentemente não jornalísticos, sublinhando que confiança e proximidade são determinantes no consumo informativo local. A tese evidencia o papel crucial de atores sociais não jornalísticos na manutenção dos fluxos informativos em contextos mediáticos específicos, ampliando o entendimento sobre as dinâmicas locais do ciberjornalismo de proximidade.